Em seu novo livro, "Terapia Afirmativa: uma introdução à psicologia e à psicoterapia dirigida a gays, lésbicas e bissexuais", o psicólogo Klecius Borges faz um histórico dessa prática de clínica iniciada nos anos 70/80 nos Estados Unidos e introduzida no Brasil pelo próprio especialista no fim dos anos 90.
Apesar de ser uma obra dirigida a psicólogos e psicanalistas, qualquer um pode ler e fazer uso dela para algumas situações cotidianas, ou até para compreender certos dramas que vivemos. Klecius esmiúça os conflitos existenciais e aponta a homofobia externa e a heteronormatividade como causadoras de boa parte das depressões entre gays e lésbicas.
Além de tratar das depressões e opressões, a obra faz um retrato histórico da psicologia homossexual (nos Estados Unidos é conhecida como Lesbian and gay psychology). Segundo o autor, a teoria surgiu em 1979 com o intuito de apresentar a homossexualidade como algo natural, posto que na época as relações entre pessoas do mesmo sexo eram consideradas uma doença.
Klecius diz que a psicologia voltada para homosexuais ganhou espaço e credibilidade quando em 1985 a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a dotar o termo homossexualidade e não mais homossexualismo. A partir desse momento o estudo "sobre homossexualidade deixou de ser simplesmente a demonstração de sua normalidade e passou a abranger inúmeras outras questões relativas à vida de lésbicas, gays e bissexuais."
A homofobia e a identidade gay
A obra conta que o termo homofobia foi cunhado por Weinberg no final da década de 1960 para caracterizar os sentimentos de medo, aversão, ódio e repulsa que alguns heterossexuais têm por homossexuais. Porém, o termo ganhou outros contornos e hoje não é usado mais apenas para designar um tipo de fobia, mas sim para atitudes preconceituosas. Hoje, segundo o livro, alguns psicólogos, principalmente nos Estados Unidos, usam a palavra homoignorante. E o que a terapia afirmativa faz frente tal sintoma, o da homofobia? E o que esta faz com os homossexuais que sofrem com isso?
Em seu livro anterior, "Desiguais", Klecius Borges já havia apontado a homofobia internalizada (gays que tem preconceito consigo mesmo ou pessoas enrustidas com alto grau de homofobia) e que tal sintoma leva as pessoas gays ou lésbicas a se tornarem anti-sociais, a ter forte compulsão por drogas e objetos e outros problemas sociais. Todos estes problemas apontados têm alto grau de relação com a depressão.
Assim, Borges acredita que do "ponto de vista da terapia afirmativa, a homofobia é o núcleo central do trabalho terapêutico com os pacientes gays". Outro problema que o psicólogo aponta é a negação do paciente em assumir que sofre de homofobia internalizada. Isso se deve porque o "gay vive num ambiente heterocentrado e homofóbico, ele é constantemente bombardeado com mensagens negativas sobre a sua natureza". Dessa maneira, é praticamente impossível os homossexuais não internalizarem tais sentimentos negativos.
Outro dado importante relatado no livro é a importância do assumir-se gay. Esse rito, segundo Klecius Borges, é o "mais importante fator para uma resolução psíquica satisfatória, não é à toa que se costuma dizer entre os gays que determinada pessoas é 'bem resolvida', indicando que ela não tem conflitos com sua identidade sexual".
A psicóloga australiana, Vivienne Cass, propôs um modelo de formação de identidade baseado em seis estágios. Mas o autor explica que nem todas as pessoas seguem a ordem e alguns estagnam em alguma delas.
Os estágios são: 1- Confusão de identidade; 2- Comparação de identidade, onde o indivíduo começa a aceitar ser homossexual; 3- Tolerância da identidade, o sujeito começa a se integrar à comunidade; 4- Aceitação da identidade, o indivíduo aceita e não apenas tolera; 5- Orgulho da identidade, aqui ele começa a afrontar pessoas homofóbicas; 6- Síntese de identidade, ele percebe que nem todo mundo é homofóbico.
De forma delicada Klecius toca no assunto álcool e drogas. Pondera que tal realidade se abate em qualquer pessoa, independente de sua orientação sexual. "Mas alguns estudos indicam que entre gays e lésbicas a droga adquire características particulares", ressalta. Segundo o autor os gays, diferente dos héteros, continuam a se drogar na maturidade e muitas vezes arrastam parra a velhice, principalmente aqueles que são abatidos pela solidão. Entre as drogas mais consumidas está a maconha, barbitúricos e anfetaminas. Adivinha quem é a mola propulsora disso? Sim, a homofobia, pois na "tentativa de aliviar ansiedade e a depressão causada pelo sofrimento imposto aos gays, o álcool e as drogas se tornam poderosos aliados destes", lembra o psicólogo.
Livro "Terapia afirmativa" aponta homofobia social como o grande mal dos gays
Klecius Borges
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sábado, 22 de agosto de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Movimento gay luta pela aprovação de lei que criminaliza homofobia
Rio de Janeiro, Brasil, 12 Mai (Lusa) - A poucos dias de comemorar a data que marca o combate à homofobia, no próximo dia 17, o movimento brasileiro de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) concentra esforços na aprovação de uma lei contra a discriminação por orientação sexual.
As atenções de pelo menos 200 organizações que lutam pela liberdade de orientação sexual no Brasil voltam-se, no próximo quarta-feira, para o Senado brasileiro na expectativa de que seja votado e aprovado o projecto de lei 5003/2001, que mais tarde se tornou o projecto de lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.
A chamada "lei da homofobia", cujo projecto estava pronto desde 2006 à espera de ser votado, no entanto, segundo Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), enfrenta obstáculos que atrasam a entrada do documento na agenda do Senado.
Movimento gay luta pela aprovação de lei que criminaliza homofobia
As atenções de pelo menos 200 organizações que lutam pela liberdade de orientação sexual no Brasil voltam-se, no próximo quarta-feira, para o Senado brasileiro na expectativa de que seja votado e aprovado o projecto de lei 5003/2001, que mais tarde se tornou o projecto de lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.
A chamada "lei da homofobia", cujo projecto estava pronto desde 2006 à espera de ser votado, no entanto, segundo Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), enfrenta obstáculos que atrasam a entrada do documento na agenda do Senado.
Movimento gay luta pela aprovação de lei que criminaliza homofobia
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